Libertação do Sofrimento

Só dissipamos o sofrimento quando vamos ao encontro dele.
Deixemos que ele se manifeste, sem sermos vítimas, isso o tornará fraco.
A liberdade está no confronto, sem controle, sem reação, apenas sentir e deixar ir.

Respire profundamente e saiba que a expiração é o vento a levar

embora todo sofrimento.

RESIGNAÇÃO

Quando aceito que só pude viver como foi possível viver
Aceito a minha presença no presente,
E eu me abro a um Novo Significado da Vida

 

AMAR

Amar fragiliza
Mais do que eu gostaria de sentir
Mais do que eu me permitiria
Admitir.

Antes eu era mais livre
Mais estúpido
Mais inocente
Quiçá mais feliz.

Agora estou em tuas mãos:
Sentes o peso?
Sentes minhas aflições?
Minhas angústias caladas?

Estou em tuas mãos:
Estou tão frágil,
Estou mais feliz,
Mais temeroso deste mundo.

Cuida bem de ti,
Cuida bem de mim.
Porque já não sei me cuidar.

Cuida bem do meu coração
Que está atrelado ao teu riso;
Quando vigio teu sono
Tenho toda a paz do mundo.

Cuida bem de ti, meu amor,
Que já não sei mais
Viver sem teus olhos.

Amor tem sete faces,
e todas me amedrontam.
O mundo, sete mil faces,
e só uma me ilumina.

 

Esta pergunta tem me tirado o sono e o sossego nos últimos dias.
Como incrédula, surpreendo-me tentando acreditar em algo - que eu não sei o quê é

-como fonte de todas as minhas energias e esperança que eu acreditava já perdidas.
Tento parecer forte quando a vontade que tenho é de ganhar colo, e chorar, apenas.
Sempre muito reservada, acabei criando ao meu redor uma espécie de redoma que amigos

e família acabavam descobrindo quase que impossível de ser transposta.
Quase...
Chorei por saber que sou tão pouco, e mereço bem menos, e no entanto a vida insiste

em me proporcionar tanto.
Despeja-me, inunda-me, transborda-me de motivos para sorrir.
Ingrata, eu choro.
Mas não, ingratidão não!
Antes, uma inegável consciência que me toma de súbito, e da qual não há mais como fugir.
Tenho amado muito, e declarado pouco.
Tenho guardado um amor que fenece, transformando-se em poeira que o vento leva.
Sinto que mereço e de fato tenho uma nova chance.
Mas não sei se a quero. Não sei o que fazer dela.
Encerro um capítulo.
Viro a página.
Novo capítulo, novo parágrafo.
Agradecida, deslumbrada, tocada.
Ponto.
Não, não é final.
Há muita história ainda a ser escrita, muita vida ainda a ser contada.
E a força... bem, tal qual a esperança, tenho-a comigo bem perto.
De onde ela vem, permanece o mistério.
Suponho que muitos acreditem saber a resposta.
Preciso mesmo da dúvida para continuar vivendo?

Só sei que gerar fé é um processo doloroso,

já que a fé é a certeza das coisas que não se vêem,

mas para chegar até ela, tenho que gerar, paciência, para gerar esperança,

para gerar amor e só aí enxergar a fé.

E é todo um processo demorado que me faz qse parar de insistir.

 

Aprendi a amar sob o signo do efêmero, avisada de que a qualquer momento podia

me flagrar vivendo de mentira

ou despencando de uma torre muito alta que a mim não pertencia.

Alfabetizei o peito e os olhos para acolher o adeus a qualquer momento e por

 qualquer motivo, em muitas línguas, de muitas formas,

mesmo sussurrado em ausência e silêncio. Eduquei os braços para o regresso

do vazio e os pés para dar meia volta e seguir noutra direção,

como se o amor fosse frágil, perecível, volátil, fugidio, como se

eu nunca fosse capaz de fazê-lo vingar,

ou não merecesse permanência, mais que uma miragem, um

 presságio, um trailer.

Peço perdão se não sei mergulhar no que para mim sempre

foi um poço raso demais.

Para isso é preciso mais que certezas. Para isso é preciso fé.


E por isso..

Rezo em segredo a prece que me falta, a prece que desconheço,

para a qual não me foram dadas palavras.

Rezo no silêncio das pálpebras, na imobilidade dos gestos,

na deserção dos sentidos.

Rezo presa ao ar que me cerca temendo a ordem do mundo,

minúscula inseta.

Rezo para crer, para escapar das correntes, da errância do frio,

do desconsolo oco que permeia os corpos.

Rezo a súplica da mãe pelo filho que ela não sabe se vai viver.

 

 

 

 

[A vida...]


A vida são deveres que nós trouxemos pra fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira....
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais
para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada
inútil das horas...

Dessa forma eu digo, não deixe
de fazer algo que gosta devido
a falta de tempo, a única falta
que terá, será desse tempo que
infelizmente não voltará mais.

[Mário Quintana]

 

.::. Eu sou .::. Amanhã...

(... ) Amanhã é dia de nascer de novo.

(... ) Depois de todas as tempestades e naufrágios,

o que fica de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.

(...) não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé -

não sei se em mim, se numa coisa que chamaria justiça-cósmica ou

a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora de tua mão sobre a minha cabeça.

Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta.

Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato.

Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam , que eu não fira ninguém.

Livra-me dos poços e becos de mim (...). Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre.

Sou árvore, sou tronco,sou raiz,
sou folha, sou graveto,
sou mato(...) A gleba está dentro de mim(...)

A gleba me transfigura, sou semente(...)
Pela minha voz cantam todos(...)

.: Cora Coralina :.

 

 

 

 

Desde Sempre

Desde sempre, desde o início, dos primórdios, desde antes de qualquer outra coisa, amei tuas mãos.

Essas mãos de promessas insuspeitas, cada uma um hemisfério, um território, um continente,

um oceano onde vivem peixes e moréias, anêmonas e corais. Amei tuas mãos e sua cor de canela,

seu toque de lã, seus gestos de força, sua vocação de ninho e afago, suas vontades secretas

reconfigurando meus relevos, se enchendo dos meus cabelos, umedecendo em meus lábios.

Amei tuas mãos sobre as minhas, conchas da minha pele, laços dos meus dedos.

A nenhum outro lugar pertenço, em nenhum outro braço, a nenhum outro corpo.

Estranharia todas as mãos que não as tuas, mesmo que em outras só te buscasse.

Esculpi uma de mim pelos contornos que me deste e meus limites, minhas divisas,

agora são todos com o teu território. Seria uma es

trangeira em mim mesma se não pudesse fazer pra sempre do teu corpo

o meu último refúgio e já não saberia andar para trás e refazer os dias sem a tua trilha,

sem as estrelas que me puseste nos olhos,

num outro tempo que não o tempo que fizemos nosso,

tão maior, onde cabem nossos momentos esquecidos e

as memórias do que ainda seremos.

 

 

Desta vez é Sério!!

Queria me levar mais a sério. Mas a vida me transformou nessa coisa meio desacreditada,

devido aos múltiplos recomeços que levam sempre aos mesmos finais.

Ainda que eu exclame mil vezes diante das circustâncias que me mobilizam:

"Desta vez é sério!", há uma voz, lá nos recônditos subterrâneos,

que ri de mim histrionicamente, como se soubesse da

fragilidade dos fatos e que tudo se modifica.

Não é que eu deixe de vivenciar as histórias ou de me emocionar com elas.

 Vivo-as no momento em que acontecem,

mas o fato de saber que me renderei a alguns encantos e sobreviverei

 aos consequentes desencantos produz no olhar a ironia própria de quem

 já conhece o final dos filmes, a despeito de todos os "Desta vez é sério!".

Ainda assim, espero ter salvação. Porque também sei que uma vida só

se justifica quando o detentor dessa vida mergulha fundo nela,

de olhos fechados, coração escancarado, sem querer saber onde ela vai dar.

 Queria me levar mais a sério. Alguma mágica haverá de salvar-me.

Acredito em mágicas. Sério! :)

 

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